Aumento de sífilis entre gestantes preocupa autoridades de saúde


Aumento de sífilis entre gestantes preocupa autoridades de saúde

A sífilis, uma infecção transmissível principalmente pela via sexual, que parecia sob controle, volta a chamar a atenção das autoridades de saúde, tendo em vista o aumento do número de casos. E isso, não está ocorrendo somente no Brasil,não! Segundo dados da OMS as taxas de infecção têm apresentado um aumento em nível mundial. Mas aqui, os números são realmente alarmantes. Só para se ter uma ideia, dados do Ministério da Saúde apontaram para um crescimento no número de casos de sífilis adquirida na ordem de 32,7% entre adultos, no período de 2014 para 2015. E, em Ijuí, esse índice cresceu 62% entre os anos de 2015 e 2016.

Um cenário preocupante, segundo a coordenadora do Serviço de Atendimento Especializado (SAE/Ijuí), enfermeira Ana Letícia Míssio, porque grande parte dos casos ocorre entre gestantes, podendo haver a transmissão para o bebê. Os  números justificam a preocupação das autoridades de saúde: No Brasil o número de gestantes infectadas pela sífilis aumentou em 20,9%, enquanto as infecções por sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê, cresceram 19% no mesmo período. “Da mesma forma, tivemos crescimento no número de casos aqui em Ijuí. Houve um aumento de 45% no número de casos entre gestantes no período de 2015 para 2016, e um aumento de 50% nos casos de crianças nascidas com sífilis”, aponta.

A boa notícia, de acordo com Ana Letícia, é que este avanço pode ser contido. “O Ministério da Saúde tem como meta reduzir a infecção congênita próxima a zero e isto, teoricamente é possível”, diz ela. Segundo a coordenadora do SAE/Ijuí, a doença pode ser evitada com um bom pré-natal e desde que todas as orientações sejam seguidas corretamente. “O tratamento é simples e eficaz, devendo ser realizado necessariamente pela gestante e pelo seu companheiro, para evitar a retransmissão”, garante.

Caso a gravidez seja planejada, segundo Ana Letícia, é interessante que o pré-natal inicie antes mesmo da gestação, com a realização de todos os exames. Mas, caso não haja essa possibilidade, o importante é que a gestante e o companheiro dela realizem os exames iniciais ainda no primeiro trimestre, já na primeira consulta do pré-natal. Os mesmos exames devem ser repetidos mais uma vez pelo casal, no terceiro trimestre, e, pela gestante, outra vez ainda, no momento do parto.

Em adultos, de acordo com a coordenadora do SAE, se não for adequadamente tratada, a sífilis pode acarretar danos graves ao sistema nervoso central e cardiovascular. Também pode afetar os olhos, a pele e os ossos. “Em gestantes, caso o tratamento não seja realizado, as consequências sobre o feto também podem ser graves, indo desde o aborto ou o nascimento prematuro, até problemas no desenvolvimento, como cegueira, surdez, deficiência mental e malformações”, adverte.

Para a equipe do SAE/Ijuí, a causa principal do aumento nos índices de sífilis pode estar relacionada a um possível relaxamento nas medidas de proteção pessoal. “As pessoas estão deixando de utilizar o preservativo nas relações sexuais, tanto nos relacionamentos estáveis quanto nos envolvimentos ocasionais”, denuncia Ana Letícia. De acordo com o psicólogo do SAE, Vladinei Weschenfelder, o aumento do número de casais que estão deixando o preservativo de lado na hora do sexo, tem acontecido nos diferentes segmentos da população. “Mesmo entre aquelas pessoas com acesso a informação e com condições de discernimento quanto às situações de risco”, afirma. E esse “novo” comportamento, acende um alerta entre as autoridades de saúde, quanto à necessidade de fortalecer e ampliar as ações de prevenção em nível de políticas públicas.

Em função de todo esse cenário, entre as prioridades do SAE/Ijuí para este ano, segundo a coordenadora, estão a ampliação do debate público e o fortalecimento das estratégias de prevenção, especialmente entre adolescentes e jovens. “Além disso, estaremos ampliando a testagem, identificando os casos de infecção silenciosa, onde a pessoa é portadora de uma DST sem apresentar sintomas evidentes”, adianta Ana Letícia.

Mais informações sobre o assunto, agendamento de testes, palestras e/ou oficinas sobre doenças sexualmente transmissíveis, podem ser obtidos diretamente no SAE, à Rua 19 de Outubro, 752, ou ainda pelo fone 3331-8891.


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